A experiência de viajar sozinha

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

viajar_sozinha

“Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.” Fernando Pessoa

Em 2014, vivi uma das experiências mais incríveis: viajei sozinha. Eu e Deus. Era a primeira vez que saia do país e para completar tinha como desafio ficar comigo durante uma semana. A pergunta era: será que vou me aturar?

Confesso que comprei a passagem sem pensar muito. Estava cansada de esperar a compatibilidade da agenda de alguém para me acompanhar.

Perto da viagem, quis desistir. Bateu um friozinho na barriga. Aquele medo básico. Por mais livre de espírito que eu seja, o desafio pareceu ser demais para mim. Graças a Deus tive pessoas maravilhosas que me apoiaram. Amigos que me mostraram o quão importante e libertador isso seria.

Já no aeroporto, eu comecei a observar os olhares. É incrível a maneira como as pessoas encaram quem faz algo sozinha. Na fila do aeroporto, no restaurante ou em algum passeio. Tenho certeza que não sou a única que já vivenciou isso. Nessas situações, eu reflito como a maioria das pessoas não está preparada para a solidão.

Quando eu falo a palavra solidão, na minha mente vem tristeza, escuridão e lágrimas. Estranho isso, mas é a definição que o mundo me deu e que tive que redefinir. Não sou defensora do isolamento, mas acredito que momentos solitários são válidos para todo mundo.

No segundo dia da viagem andei pelas ruas explorando o local. Tornei-me uma especialista em selfies. Sentia os olhares com um mix de “pena” e curiosidade por verem uma mulher fazendo tudo sozinha. Por outro lado, percebia como estava sendo gostoso descobrir, explorar e digerir novas informações. Tudo no meu tempo. O diálogo era comigo. Eu perguntava, eu respondia.

Em um determinado momento, eu senti a necessidade de me abrir para as pessoas. Conheci algumas em pontos turísticos, mas foram companhias somente nos locais por onde eu passava. No meio da viagem, comecei a ficar desanimada de fazer os programas e sair do quarto. Dei-me uns tapas na cara e fui à luta novamente.

Perambulei um pouco pelas ruas e voltei ao Hostel com uma tarefa: abrir a boca e me comunicar com alguém. Fiquei quase duas horas em uma área de convivência social e nada. Até que virei para a menina que estava ao meu lado e disse: – Oi, tudo bem? O que você e seus amigos vão fazer hoje? A partir daí eu ganhei pessoas especiais. Não fiz mais nada sozinha e vivi muitas outras coisas. Relaxei, aprendi lições e me diverti bastante.

Desde então, eu entendi que viajar é preciso – e se abrir para o mundo também.

Voltei cheia de boas histórias, venci meu medo da solidão e defini o que eu quero para mim. Não posso negar: estou mais objetiva e forte para os dilemas da vida. Não sou autossuficiente. Adoro interagir com pessoas e só consegui viver tudo isso porque tive amigos que me apoiaram de longe. O ser humano não foi criado para viver solitário, mas acredito que existam momentos para todas as coisas: solidão e agrupamento.

Tenho certeza que repetirei muitas vezes essa experiência!

E você, já viajou sozinho (a)?