O desabafo de quem pediu demissão no momento da crise – e o que eu aprendi com isso?

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“No momento em que as pessoas estão se escondendo dentro das empresas para não serem lembradas e entrarem na lista de demitidos, você veio pedir demissão? ”

Essa pergunta foi crucial para eu ter certeza de que tinha tomado a decisão certa. Eu não esperava ouvir isso, mas foi importante para fazer minha escolha. E sabe por quê? Porque eu não sou do tipo que se esconde. Busco ser a funcionária que está na lista dos que não podem ser demitidos. Tenho tesão pelo eu faço – e me sinto privilegiada em trabalhar com algo pelo qual sou apaixonada.

Mas, antes de chegar a esse diálogo, o que me levou a pedir demissão – e justamente, no meio de uma crise política e econômica no Brasil?
Parece loucura! E até foi! Mas também foi a coisa mais certa a fazer, mesmo sendo apaixonada pelo meu trabalho, pela empresa e por tudo que eu fazia ali.

Eu só preciso ir um pouquinho mais no passado…

Sou do tipo inquieta. Graduei-me e, antes disso, consegui estagiar em vários lugares. Pude saber e escolher o que eu queria – ou não. A lista das coisas que eu não queria fazer era enorme. O tempo passava e parecia que eu nunca estava satisfeita. As pessoas diziam que a culpa era minha. Percorri muitos lugares, mas tinha o seguinte pensamento em mente: “Quer saber? Um dia vou empreender. Quero ter meu próprio negócio. E assim segui em frente”.

No meu último emprego, consegui uma oportunidade na área de Inovação. E essa foi uma experiência divisora de águas! Sem essa chance, eu não seria a profissional que sou hoje. Tive a oportunidade de crescer. Meus olhos brilhavam diante de aquilo. Eu era desafiada todos os dias e, então, descobri que essa era área em que eu definitivamente queria trabalhar.

Pausa para algumas lições aprendidas até o momento:

  • Coloque as pessoas certas nas vagas certas

Eu sempre queria mudar as coisas, fazer tarefas novas e acabar com a burocracia. Sempre tive muitos feedbacks de que eu era uma pessoa muito agitada. Eu me sentia péssima por estar sempre sendo “podada” pelos gestores, por sempre “estar errada”. Quando fui trabalhar com inovação, descobri que toda aquela minha energia e atitude eram perfeitas para esse tipo de trabalho. Ou seja, eu poderia colocar minhas habilidades em prática – e era justamente por causa delas que o trabalho rendia bons frutos. Enfim, deu match!

Você se identificou com essa história? Será que você está no lugar certo?

  • Um bom líder faz toda a diferença
    Quando começo a falar de inovação parece que estou me referindo a um “mundo perfeito”. Sinto muito dizer, mas não é bem assim. É bem instigante poder criar e fazer algo novo. Porém, nos bastidores, existe um trabalho de transformação e sabemos muito bem que a maioria das pessoas dentro companhias não enxergam mudanças com bons olhos. Tudo que é novo assusta. E quando isso significa mais trabalho e esforço, a cara feia é certa! Fora essa questão, existe o fato de as pessoas não conseguirem acreditar naquilo que ainda não possui dados e resultados comprovados, ou o que é ainda inexplorado pela empresa. Aprendi a levar muitos “não” sem desistir, a aturar as pessoas que desacreditavam no meu trabalho e a enfrentar perrengues para os projetos acontecerem. E como eu consegui sobreviver a isso? Tendo uma líder ph*d@! Desculpe pelo termo! Mas, eu tive uma oportunidade e uma líder ímpares. Se eu fui além, é porque eu encontrei uma pessoa para me motivar, ensinar, acreditar no meu potencial, que me deu espaço para ir além. Esse é o meu case que comprova que um bom líder pode fazer um funcionário ser apaixonado pelo faz e querer dar sempre o seu melhor. Eu sabia que eu podia expor minhas opiniões e ideias. Que se eu errasse, não teria um dedo apontado em minha direção – e, sim, uma mão para me ajudar a solucionar o problema.
    Está lendo isso? Está refletindo sobre a diferença que um bom líder faz na sua empresa? Se você é gestor, está refletindo como você pode impactar vidas e carreiras?

Observação importante: Ser líder não significa ser amigo pessoal! Tem muita gente que acha que é um bom líder só porque é descolado ou porque entende os problemas pessoais do funcionário. Aprendi que um líder cobra resultados, mas que dá ao seu time ferramentas que ajudam na conquista de bons resultados.

Vamos em frente…

Porque, afinal, eu pedi demissão?

Dentro de mim ainda existia latente a vontade de ser empreendedora. Ela estava guardada na “gaveta dos sonhos” e eu ficava sempre protelando para torná-la realidade. Aquela coisa de “amanhã eu começo a fazer algo neste sentido”, sabe?

Com a chegada da crise no Brasil, a maioria das empresas começou a rever suas estratégias. No lugar onde eu trabalhava não foi diferente. Com uma reestruturação das áreas, meu antigo setor acabou. Fui trabalhar em outra área, com projetos diferentes dos que eu fazia. E aquilo me desmotivou bastante. Vou dar um exemplo que quase todo mundo vai entender: imagine que você tem um animal de estimação em casa e que você começa a dar para ele a mesma comida que sua família come. Um dia, você resolve voltar a alimentá-lo exclusivamente de ração. Apenas ração. Ele fica satisfeito? Não! Todo mundo sabe que não! Ele quer comer o bolo de chocolate, a comida temperada e a carne bem passada, exatamente como foi acostumado. E essa é quase a mesma reação de um funcionário quando ele ama o que faz e você o move para uma posição bem diferente da qual ele se destacava e tinha prazer de ocupar.

De volta a minha realidade….

Na área nova, eu acreditava nos projetos pelos quais estava responsável, mas não amava o que fazia. Eu comecei a murchar como pessoa. É sério: quem me conhece já ouviu meu discurso “trabalhe com o que gosta, pois passamos mais tempo dentro de uma empresa do que com a família, os amigos e praticando hobbies”. Eu realmente tenho que acreditar e enxergar coerência no meu trabalho.

  • Se você não sabe ainda o que te motiva… descubra!

Se você não é feliz no seu trabalho… ajeite seu currículo e comece a se candidatar a vagas. Ou seja: seja honesto com você e com seu empregador! A pior coisa no mundo corporativo é gente que sabota a própria felicidade e finge que trabalha. Se você não é herdeiro de alguma fortuna, procure algo que te satisfaça como profissional. Porque quase todo mundo precisa fazer alguma coisa para sobreviver, né?!

Comecei a enviar currículos. Fui chamada para algumas entrevistas, mas não apareci. Eu estava tão ligada à empresa em que trabalhava, que vivia num conflito interno, na dúvida sobre se deveria sair ou continuar.

O convite

Vivi uma agonia e uma dúvida cruel. Um dia, meu amigo Leonardo Picciani me chamou para conversar. O Leo me convidou para ser sócia dele na 021 Inovação. Fiquei muito honrada e surpresa com o convite, pois, por mais que fossemos amigos e trabalhássemos muito bem juntos, nunca tinha imaginado isso. Pedi um tempo para pensar.

A tomada de decisão

Eu estava insatisfeita na empresa onde trabalhava? Sim.

Meu sonho da vida era empreender? Sim.

Qual era a dúvida então?

Que nos últimos meses em que eu estava no meu emprego, descobri que meu sucesso dentro da empresa era graças à atitude empreendedora que tinha. Na verdade, fiz o papel de “dona do negócio” nos projetos que tocava e nem percebia que essa era uma forma de empreender. Foi algo natural. Descobri que eu poderia ser empreendedora, mesmo sendo funcionária.

  • Você pode ser um empreendedor de carteira assinada!

Eu nunca tinha pensado nisso antes e agi dessa maneira por um tempo sem me dar conta. E esse é um caminho a seguir que é bom para os dois lados: tanto para a empresa quanto para o funcionário.

 Você empreendedor/gestor, já pensou em motivar isso em seus funcionários? Você funcionário, já pensou em ter mais atitude onde você trabalha?

Eu amava meu trabalho e tenho um carinho enorme pelos líderes que tive nesta empresa. Chorei e repensei muito minha decisão. Conversei muito lá dentro e com profissionais de fora também.

Porque a decisão foi tão difícil?

Por todas essas lições que eu compartilhei com vocês. Aprendi muita coisa, tive excelente mentoria, acreditava numa carreira ali dentro sendo uma empreendedora de carteira assinada. Mas eu também tinha necessidade de empreender aqui fora. Eu descobri a inovação e não queria abrir mão dela. Por isso, aceitei o convite do meu amigo Leonardo e me tornei sócia na 021 inovação.

Há cinco meses estou na 021 e tenho certeza de que tomei a melhor decisão! Não tenho a mesma segurança de quando era funcionária e contava com todo aquele pacote de benefícios que as empresas costumam conceder aos empregados. Mas não posso negar que ganhei autonomia. Agora estou vivendo uma nova aventura que é empreender no Brasil e, ainda por cima, num cenário de crise. E isso é um baita desafio!

É fácil empreender?

Nem um pouco! Para empreender é preciso coragem e resiliência. Eu tive que aprender a ser a minha própria chefe, a criar métodos de avaliação e mensuração dos meus próprios resultados. Descobri minha fórmula para controlar o “bicho” que a geração que está no mercado de trabalho conhece muito bem: a ANSIEDADE. Não dá para pirar diante das dificuldades e incertezas: temos que seguir em frente, enfrentar os medos, as pessoas, o mercado, a economia – e até nós mesmos!

Eu não sei quais são seus sonhos, mas o conselho que tenho é: tente torná-los reais e agarrar as oportunidades que surgirem. Você vai ter de abrir mão de algumas coisas, mas vale muito a pena fazer algo em que você realmente acredita. Está aqui a minha história para comprovar isso.

Espero, em breve, poder compartilhar mais com vocês sobre a aventura que é empreender no nosso país!