A despedida de quem não foi embora

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Rear view of a young woman hitchhiking on countryside road walking on the road
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Nós não estamos conseguindo acompanhar a velocidade da vida! Se você falar o contrário, me desculpe, você está enganando a si mesmo.

Muita informação, muita tecnologia, muita demanda, muitos compromissos, muitos questionamentos, muitas mudanças, muitas rupturas – fiquei sem fôlego só em escrever e imaginar o volume desse monte de coisas. Quando sobra uma brecha na agenda, nós preenchemos, enchemos, mandamos um invite, marcamos, desmarcamos, remarcamos… não temos tempo.

Não temos tempo a perder…

Não temos tempo para dedicar a pessoas. Lidar com gente dá um trabalho – quando não chegamos no estágio preguiça! E aí, algumas coisas podem ser deixadas para depois. O depois chega… então, é tarde demais para resolver nossas pendências. O prazo estourou e você nem se deu conta. E tá aí uma coisa que é impossível de recuperar: o tempo perdido.

A gente se despede. De nós, de quem amamos e das coisas. A gente se despede sem sentir do que ainda nem foi embora.

Tem pessoas que não conseguimos nos despedir!

Não conseguimos porque deixamos para depois, porque achamos que o tempo ia passar, as coisas iam acalmar e voltariam aos trilhos. Porém, esse trem passou por outra linha e não foi na nossa plataforma. Dá para pegarmos outra composição?

A gente se despede de pessoas. Toda hora. Porque não temos tempo para elas.

Eu já briguei, me afastei e deixei o tempo passar e curar. Sendo que o tempo é egoísta. Ele só resolve as pendências dele. Não pense que ele vai resolver as coisas por você. Ele não vai pedir perdão por você, ele não vai se reaproximar de pessoas por você, ele não vai dar o abraço, não vai discar o número de telefone, ele não fala por você. Ele é O TEMPO e só ele sabe quando acaba o prazo das coisas. O prazo da dor, da briga, da tristeza, da alegria… da vida!

Temos o costume de nos despedirmos oficialmente só de quem sabemos que está no leito de morte – e juro, já vi gente que ficou chateado porque visitou quem já estava partindo dessa pra outra e no final a pessoa não morreu. “Visitei e me despedi à toa? Fulano estava na beira da morte e agora está com mais saúde que eu”; de quem vai pegar um avião sem prazo de volta, de quem vai ficar longe…

No automático, vamos nos despedindo das pessoas sem nem perceber. Tudo disfarçadamente. Enganando só a nós mesmos. Vem a tragédia, vem a fatalidade, vem as reviravoltas da vida… e como você vai encarar isso?

Até quando você vai se despedir de quem nem foi embora?

Até quando você vai deixar de falar eu te amo?

Até quando você vai segurar o pedido de perdão?

Até quando você vai adiar um café com pessoas queridas?

Até quando você vai se afastar de quem está tão perto?

Essa nossa relação com tempo, rompimentos e distância é tão patética que chega a ser cômica.

Tenho uma amiga que morava na minha cidade e foi para Brasília. Eu a vejo umas duas vezes por ano, nas férias no Rio de Janeiro. A gente sempre dá um jeito, nem que seja um café da manhã na padaria. Esticamos as agendas, fazemos malabarismos, enfrentamos o que for…. Mas, precisamos aproveitar essa preciosidade de momento – e tempo. Fazemos parte de um mesmo grupo de amigas. Todas moram praticamente no mesmo bairro, mas acredite: só nos encontramos quando a de Brasília está aqui. Por que isso? Porque só damos valor ao que tem prazo para terminar. Mas, tudo tem prazo, minha gente. Porém o ser humano precisa saber o dia, a hora, o momento para valorizar. A vida segue e se acomoda no “depois a gente marca”, “depois nos vemos”, depois… depois… depois e fica para depois mesmo!

E se você não tiver o depois?

Até quando as relações, a vida, o tempo vai escorrer pelas nossas mãos e vamos fingir que está tudo bem?

Vida que segue. Não está doendo. Mais tarde resolvo isso.Não fazemos nada.

E vamos perdendo oportunidades, sorrisos, abraços, vidas, amores… vamos nos perdendo dentro de nós. Acreditamos que teremos todo o tempo do mundo. Quando na verdade, não temos é tempo a perder.

O que você tem deixado para depois? Realize algo hoje. Por você, pelos outros, pela vida!

 

Cece, esse texto teve como inspiração nossa amizade. Você tá indo dar umas “voltas” pelo mundo e eu me sinto profundamente triste por ter desperdiçado o tempo que tinha com você aqui por perto. Porém, nunca é tarde para reencontrarmos as conexões que fazemos na vida! amo você!